Argentina 1920 – 2013
León Ferrari, nascido em Buenos Aires, foi um artista autodidata e um dos principais pioneiros da arte conceitual na Argentina. Trabalhou com diversos meios — pintura, desenho, colagem, escultura, poesia e gravura — e tornou-se internacionalmente reconhecido por sua arte crítica e provocadora, voltada contra a guerra, a desigualdade social, a discriminação, o abuso de poder e o papel da religião.
Nos anos 1950, iniciou suas experiências em escultura durante viagens à Itália. A partir dos anos 1960, desenvolveu obras que exploravam a relação entre palavra e imagem, como Cuadros Escritos e Dibujos Escritos, criando composições abstratas de caráter quase caligráfico. Em 1965, uma de suas obras mais emblemáticas, La civilización occidental y cristiana, foi censurada pela Igreja Católica, marcando o início de um confronto direto com instituições religiosas.
Ferrari integrou o coletivo Tucumán Arde, engajado em denunciar a realidade social sob a ditadura argentina, e publicou manifestos defendendo a arte como instrumento de perturbação e eficácia política. Durante a ditadura militar e a chamada Guerra Suja, perseguições e desaparecimentos o levaram ao exílio em São Paulo (1976–1991), onde produziu intensamente com novos meios, como fotocópias, heliografias, arte postal e livros de artista.
De volta à Argentina nos anos 1990, criou colagens críticas relacionadas ao relatório Nunca Más, denunciando as ligações entre o regime militar e a Igreja. Ao longo de sua carreira, Ferrari participou de importantes exposições internacionais e teve suas obras incorporadas a grandes coleções públicas ao redor do mundo, consolidando-se como uma das figuras centrais da arte política e conceitual latino-americana.
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