EDUARDO SUED – 100 anos
No ateliê em Jacarepaguá, cercado de jardins que para ele são uma metáfora de seu processo de trabalho, Eduardo Sued medita com cor e forma. Aos cem anos, ainda transfigura tinta em pensamento e geometria em respiração. Carioca, filho de imigrantes sírios, abandonou a engenharia pela arte, estudando com Boese e trabalhando com Niemeyer. Absorveu modos de ver de Klee e Mondrian, mas nunca se filiou a grupos, mantendo-se à margem das disputas candentes entre abstratos e concretos no Brasil dos anos 1950 e 60. Sua pintura independente vibra em campos cromáticos vivos, onde preto e branco têm presença ativa. O quadro, para Sued, é campo de relações; tensão entre o todo e a parte, entre o plano e o corte. Do construtivismo dos anos 1970 às pinturas–relevo dos anos 1990, sua obra cresce em densidade, sem nunca se cristalizar. A partir dos anos 2000, luz e cor se tornam som e pausa. Sued ouve suas telas e pinta: “Eu procuro trabalhar à maneira da natureza”, diz ele. E é isso que suas obras fazem: germinam silenciosamente, como sementes lançadas no espaço do visível, resultando numa obra que pulsa – geométrica, vibrante, racional e sempre inventiva.
Denise Mattar
Curadora
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